O que é a Besta que emerge do mar no Apocalipse 13, segundo a visão semi-preterista
Na interpretação semi-preterista do Apocalipse, a primeira besta que emerge do mar (Ap 13:1) representa o Império Romano, símbolo do poder político que perseguia os cristãos no primeiro século. Suas sete cabeças são entendidas como sete imperadores, começando com Augusto, o primeiro César, que estabeleceu o império e o culto imperial.
Calígula, o terceiro, foi o primeiro imperador a exigir adoração como um deus em vida, tentando até colocar sua estátua no Templo de Jerusalém — um ato que escandalizou judeus e cristãos.
Cláudio, o quarto, manteve o culto imperial e expandiu o império, embora sem a mesma intensidade religiosa de seu antecessor.
Nero, o quinto, é uma figura central. Ele foi o primeiro imperador a perseguir sistematicamente os cristãos, especialmente após o incêndio de Roma em 64 d.C. Sua morte em 68 d.C. causou um colapso político, com três imperadores em um único ano — Galba, Otão e Vitélio — até que Vespasiano assumisse o trono. Essa instabilidade é vista como a “ferida mortal” da besta (Ap 13:3), que foi “curada” com a ascensão de Vespasiano, restaurando o poder imperial.
Tito, filho de Vespasiano, é o sétimo. Ele destruiu Jerusalém em 70 d.C., evento traumático para judeus e cristãos. Seu curto reinado manteve o culto ao imperador e a perseguição indireta aos cristãos.
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A segunda besta, que sobe da terra (Ap 13:11), representa o poder religioso que sustentava o culto ao imperador, especialmente nas províncias. Esses eram os sacerdotes do culto imperial, que promoviam a adoração ao imperador como expressão de lealdade ao império.
Esses líderes religiosos organizavam festivais, construíam templos e exigiam que os cidadãos oferecessem incenso ao imperador. Recusar-se a participar era visto como traição. Os cristãos, por sua fidelidade exclusiva a Cristo, eram perseguidos por se recusarem a adorar o imperador. A segunda besta, portanto, é o braço ideológico e religioso do império, que impunha a “marca da besta” — símbolo de submissão ao sistema imperial.
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Apocalipse 13:18 diz: “Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta, pois é número de homem: e o seu número é 666.” Na visão semi pretérita, esse número é interpretado como uma referência codificada a Nero César.
Usando a técnica judaica de gematria — que atribui valores numéricos às letras — o nome “Nero César” escrito em hebraico (נרון קסר, Neron Qesar) soma exatamente 666. Essa cifra seria uma forma velada de identificar o imperador perseguidor sem provocar represálias diretas, especialmente em um texto circulado entre cristãos perseguidos.
Alguns manuscritos antigos trazem o número 616, que corresponde à forma latina do nome “Nero César” (sem o “n” final), reforçando a associação com ele.
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Apocalipse 17 fala de uma “oitava cabeça” que pertence aos sete e vai à perdição. Muitos estudiosos semi pretéritos veem Domiciano como essa oitava figura. Ele reinou após Tito e retomou a perseguição aos cristãos com intensidade semelhante à de Nero. Por isso, alguns o chamavam de “Nero redivivo” — como se o espírito de Nero tivesse voltado.
Domiciano exigia ser chamado de “Senhor e Deus”, e sua política de perseguição religiosa reforça a ideia de que ele encarnava novamente a besta. Assim, ele seria a culminação do sistema imperial opressor, a última manifestação da besta antes de sua queda.
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Na leitura semi preterista, Apocalipse 13 descreve o sistema imperial romano e sua máquina religiosa como bestas que exigem adoração e perseguem os fiéis. Os imperadores, de Augusto a Tito, compõem as sete cabeças da besta, com Nero como a figura central associada ao número 666. A segunda besta representa os sacerdotes do culto imperial, que impunham a adoração ao imperador. Domiciano, por sua semelhança com Nero, é visto como a oitava cabeça — a última encarnação da besta antes de sua queda.

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